No-Code vs Vibe Coding

Esses dias me deparei com um tópico na Comunidade Sem Codar com o mesmo título desta seção do texto que vos escrevo: O Bubble ainda é viável?
O Bubble ainda é viável?
O título me deixou bastante curioso para entender a motivação da pergunta e, principalmente, para acompanhar a discussão nas respostas do post. A dúvida foi levantada pelo Felipe, um dos desenvolvedores que trabalha comigo — aqui fica meu agradecimento por trazer esse tema para debate.
A motivação da pergunta foi justamente o grande aumento de plataformas de desenvolvimento de software com IA. Ferramentas como o Lovable inundaram as mídias sociais e o termo Vibe Coding entrou na moda, chegando até a furar a bolha dev e atingir o mainstream. Alguns vendedores de cursos de marketing digital migraram totalmente seu discurso para a criação de SaaS e micro-SaaS com IA, como o caso do Ruyter e outros grandes players. Alguns vendendo apenas ilusão — como sempre fizeram — e outros tentando surfar o hype e monetizar vídeos falando sobre N8N e ferramentas de automação com IA (Peter Ei Nerd e Primo Rico).
Uma coisa é visível: a maioria dos criadores de conteúdo que falavam sobre Bubble e No-Code migraram para falar mais sobre Lovable e N8N. Os grandes do mercado, como Renato Asse e a NoCode Startup, mudaram seus focos, produzindo vídeos e cursos sobre essas novas plataformas. Com isso, quem os acompanha acabou se deparando com uma dúvida cruel: será que preciso largar a ferramenta à qual me dediquei por tanto tempo e com tanto esforço para acompanhar essa tendência do mercado de desenvolvimento com IA?
Sem querer ser o maluco do chapéu de alumínio, às vezes me pego pensando se isso é realmente uma tendência orgânica de mercado ou se existe também uma motivação financeira na criação artificial dessa onda de IA pelos criadores de conteúdo.
Pontos fortes do Vibe Coding
O avanço da inteligência artificial nos últimos anos é evidente. As empresas de IA têm crescido de forma assustadora. Ferramentas como ChatGPT e Gemini estão na boca da galera, e os vídeos produzidos por IA dominaram as redes sociais. Não demorou muito para que essas tecnologias chegassem ao desenvolvimento de software — até porque o perfil do early adopter de IA passa, quase sempre, pelo amante de tecnologia e pelo programador.
O Vibe Coding possui uma série de benefícios que não podem ser ignorados. A velocidade para criar um site ou um app é impressionante. Literalmente, em minutos, você consegue ver seu projeto no ar. Para pessoas não técnicas, isso abre uma porta que antes parecia inalcançável. Hoje é possível criar um SaaS sem precisar de um desenvolvedor.
Mesmo sem saber nada de programação, com algumas horas assistindo a vídeos no YouTube, já é possível criar um aplicativo, integrar com banco de dados, implementar login e conectar meios de pagamento para lançar um projeto e começar a faturar.
Por mais que saibamos que, na prática, isso seja mais difícil do que parece, a possibilidade realmente existe. Para quem não entende de desenvolvimento de software, não há uma percepção clara dos problemas relacionados à infraestrutura, segurança e performance. Para quem já tem alguma noção de programação, mas não possui aptidão em UI/UX, o Vibe Coding é uma mão na roda. A IA entrega um frontend muito melhor do que aquele que essa pessoa desenvolveria sozinha. Considerando que o backend será reconstruído depois, a IA se mostra uma excelente ferramenta de aceleração.
Em suma, para a criação de sites e sistemas simples, o Vibe Coding é, sem dúvidas, a melhor opção. A curva de aprendizado é mínima, já que basta explicar à IA o que quer que ela faça. Se o objetivo é validar uma ideia, criar um MVP para seu SaaS sem gastar com desenvolvedores ou economizar tempo de desenvolvimento, esse caminho faz muito sentido. Se você é um programador experiente, entende o contexto do código gerado e consegue ajustar segurança e performance, o Vibe Coding pode inclusive ser usado em aplicações mais robustas.
Mas aqui vale o disclaimer que faço questão de trazer em todos os meus conteúdos: não é tão fácil quanto dizem nos anúncios de curso por aí. Construir algo realmente bom ainda exige dedicação e tempo.
Pontos fortes do Bubble
O Bubble, por sua vez, é uma ferramenta no-code. Apesar de já estar desenvolvendo seu próprio agente de IA para auxiliar no desenvolvimento, o foco da plataforma continua sendo o desenvolvimento visual. Ela já se preocupa com a infraestrutura básica do sistema, permitindo ir desde um MVP até o lançamento de plataformas bastante robustas — como o sistema em que trabalho hoje. Confesso que nunca vi uma aplicação feita por Vibe Coding com funcionalidades tão específicas e customizadas quanto as que temos aqui.
O grande diferencial do Bubble é ser all-in-one. Em um único lugar, é possível desenvolver frontend, banco de dados, backend, APIs, regras de privacidade e, agora, contar também com um agente de IA como suporte. Nenhuma plataforma de Vibe Coding se propõe a fazer tudo isso.
Com o Bubble, é possível criar desde uma landing page (ainda que não seja o uso mais indicado), desenvolver um SaaS completo, estruturar o banco de dados e até expor APIs para integração com sistemas de terceiros. Evidentemente, isso vem acompanhado de uma curva de aprendizado maior. Em poucas horas dificilmente será possível colocar um MVP no ar — quem sabe nem na primeira semana, dependendo da complexidade do projeto.
Por estar há mais de 10 anos no mercado, o Bubble já é utilizado por diversas startups no Brasil e no mundo. Assim, para quem deseja seguir carreira como desenvolvedor e buscar uma vaga no mercado, além de criar produtos próprios, a ferramenta pode abrir boas portas — especialmente se vier acompanhada de outras soluções na sua "caixa de ferramentas". Entre elas, o N8N se destaca como uma das mais demandadas atualmente, principalmente para fluxos de backend utilizando IA.
Resumindo e respondendo à pergunta inicial que provocou toda essa reflexão: o Bubble ainda é viável, sim!
Em projetos mais simples, o Vibe Coding vem ocupando esse espaço. Já em projetos mais robustos, o Bubble continua se saindo muito bem. Ainda assim, quem quer se destacar — seja como desenvolvedor ou criador de micro-SaaS — deveria abandonar a lógica de comparação e passar a enxergar ambas como ferramentas complementares dentro do mesmo arsenal.
Nunca fui uma pessoa muito ligada ao design. Minha formação sempre foi técnica: no ensino médio me encantei pela matemática e pela robótica, o que me levou a cursar engenharia elétrica. Por conta disso, sempre tive dificuldade na criação de interfaces bonitas e no desenvolvimento de boas experiências de usuário.
Para compensar essa fragilidade, busquei me complementar de diferentes formas: montei times com habilidades mais voltadas ao design, utilizei design systems e procurei sempre fazer o básico bem feito.
No-Code vs Vibe Coding → No-Code + Vibe Coding (IA)
Com a chegada das ferramentas de inteligência artificial, minha vida ficou consideravelmente mais fácil. Hoje consigo usar o Lovable para criar uma primeira versão do frontend do que quero desenvolver, testar variações, validar com o time de operação e já entregar algo muito mais tangível para um desenvolvedor. O que antes precisava passar necessariamente por um designer pode, em muitos casos, ser feito pela IA.
É importante deixar claro: acredito fielmente que um designer bem capacitado faz um trabalho muito melhor do que a IA. No entanto, em startups iniciantes ou projetos de micro-SaaS, nem sempre há um profissional disponível com tanta frequência.
Além do código, a IA auxilia em diversos outros pontos: estruturação de banco de dados, criação de workflows, automações e até sugestões de ferramentas. Sem falar em análise de dados e gestão de produto, áreas que vão além do desenvolvimento em si. A IA precisa estar integrada ao fluxo de trabalho atualmente. Acredito que quem sabe utilizá-la está a anos-luz de quem ainda resiste à adoção.
Com toda essa atenção do mainstream e do marketing digital sobre o desenvolvimento de software, houve um aumento substancial no número de novos "desenvolvedores" e "vibe coders". Como em todo mercado, essa onda tende a passar. A maioria dos aventureiros vai embora junto com o hype — um movimento natural e cíclico. No fim das contas, isso é positivo: mais dinheiro entra no ecossistema e, com o tempo, os bons profissionais acabam sendo ainda mais valorizados quando se evidenciam as limitações das soluções mal construídas. A peneira natural acontece, e o joio se separa do trigo.
O aprendizado que fica é simples: continuar fazendo bem feito e se atualizando constantemente. Um bom profissional não deve temer a concorrência nem se deixar levar pelo FOMO de abandonar tudo para seguir a próxima onda do hype. No final, vence quem é mais consistente, sério e realista.
Em um mercado que vende ilusões, quem fala a verdade muitas vezes é taxado como "dinossauro". Mas o que realmente importa é a entrega, independentemente das ferramentas. Encante seu cliente com boa experiência do usuário, design bem pensado, segurança e funcionalidades sólidas. É isso que vale.
Espero que esse texto tenha te encontrado bem,
João Baran
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