Como comecei com a tecnologia

João Victor Baran
CTO na Parcela Mais | Engenheiro de Software | Fintech & Produtos com IA
“Sempre gostei de coisas novas. Era bom com exatas. Fui uma criança curiosa. Quando era pequeno, desmontava os carrinhos de controle remoto.”
É assim que grande parte das pessoas que trabalham com tecnologia contam como surgiu o interesse pela área.
Eu nunca fui um desses.
Na verdade, era até o contrário: não gostava muito de mudanças, não era tão curioso, nunca desmontei nada e já fiquei em recuperação em matemática.
E, de verdade, nada disso importa!
Eu caí no mundo do desenvolvimento por acaso. Durante meu ensino médio, fiz curso técnico onde passava contraturnos na escola. Alguns amigos (Andre Barbosa, Eric Santana, Jucemar Paes) participavam da equipe de robótica e eu gostava de ficar no laboratório batendo papo com eles.
Surgiu uma competição onde eles iriam competir em outra cidade (evento onde foi tirada essa foto que está como capa desse artigo). Haviam mais vagas para a nossa escola do que o número de alunos na equipe de robótica. Como eu queria viajar com eles, decidi participar. Passei algumas madrugadas aprendendo como se mexia no Lego Mindstorms (um software de programação em blocos) para programar os movimentos que o nosso robozinho de Lego iria realizar na pista da competição.
Sempre adorei competições e foi aí que o ‘bichinho’ da tecnologia me picou.
Comecei a me interessar no desenvolvimento por um simples motivo: achava incrível ver algo que eu criei funcionando.
Daí em diante, fui aprendendo algumas linguagens de programação conforme a necessidade ia aparecendo. Aprendi C++ para fazer um trabalho do curso e depois usei várias outras na graduação (C, Assembly, C#, Python, R…).
E por falar em graduação, nunca tive muitas dúvidas não. Queria fazer engenharia elétrica. Acreditava que por ser um curso bem amplo, poderia direcionar os meus estudos para algo que envolvesse programação.
Como todo jovem sonhador, acreditava que iria desenvolver um aplicativo que resolveria os problemas do mundo e me daria muito dinheiro (risos). Coitado.
Logo que comecei a faculdade, comprei 5 cursos de R$29,90 na Udemy sobre programação (nem sabia o que estava comprando) e foi aí onde a confusão começou. Fiz cursos repetidos. Conheci algumas linguagens que não queria trabalhar nem a pau. Pensei até que não era para mim. Foquei no desenvolvimento mobile (queria fazer meu app). Passei muita dificuldade com meu computadorzinho cozinhando ao rodar o Android Studio em algumas madrugadas frias no inverno de Florianópolis.
Após penar bastante por alguns meses, criei um beta para Android.
Foi um fiasco.
Uma madrugada de insônia no YouTube, caí por acaso em um vídeo do Renato Asse sobre o Bubble.io. Uma plataforma no-code que me permitia criar meus aplicativos muito mais rápido. Era o que eu precisava! Fiz uma versão nova do meu aplicativo em um mês. Para mim era o suprassumo da tecnologia.
Meu aplicativo não deu certo, mas o conhecimento ficou guardado.
Comecei a criar alguns sistemas com Bubble de vez enquanto, como um hobby.
Então surgiu a oportunidade de fazer um freelancer.
Me encontrei!
Hoje trabalho com desenvolvimento Bubble e sou amarradão no que eu faço.
O que eu quero trazer com a minha história?
No começo foi difícil achar um direcionamento para seguir. Hoje temos muito conteúdos na internet e não é fácil saber o que priorizar para estudar.
O que eu diria pro João de alguns anos atrás: não foca na linguagem de programação. Foca nos conhecimentos mais básicos que vão te ajudar a resolver os problemas, foca nos pilares de desenvolvimento de software!
Algoritmos, árvore de decisões, máquinas de estado e até mesmo metodologias ágeis.
Depois disso: teste! Aprenda o básico de alguma linguagem, até que você se sinta confortável com ela. Depois aprenda outra. A lógica que você aprende usando uma vai te ajudar com as outras também.
Então, ao surgir uma demanda você se pergunta: qual tecnologia pode me proporcionar isso, em menos tempo e com menos esforço?
As tecnologias (linguagens de programações) são apenas as ferramentas para resolução do problema. O mais importante é saber montar a lógica por trás do sistema.
Apenas comece. Não importa a idade, o que você já fez ou se você tem o “perfil de tech”.
O negócio é estar sempre atento as novidades, não ficar preso a tecnologia específica e sempre continuar estudando.
Espero que tenha te ajudado com minha história. 😄
João
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